domingo, 15 de junho de 2014

^^^~ ABRAÇA_ME ~^^^^ DE Joaquim Pessoa ^^^^

Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele,
ver o sol a nascer do intenso calor dos nossos corpos.
Quando me perfumo assim, de ti ,nada existe a não ser este relâmpago
esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos,
e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente
das estrelas.
Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos,
o sentir da vida.
Procura-me com os teus antigos braços de criança para desamarrar em mim a eternidade,
essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.
Abraça-me. Quero morrer em ti em mim, espantado de amor.
Dá-me de beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferece-la
aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais. Uma vez que nem sei se tu existes.

 "Poema de Joaquim Pessoa "

 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

~~~~~~~A CARTA ~~~~~~


Escrevo-te meu amor...
Uma carta...
Que nunca chegarás a ler...
mas eu teimo.
Como se fosse ontem! e não paro de escrever...
Partiste... mas a saudade aumenta,
com a distância do tempo;
e o saber... que nunca mais te chegarei a ver!
Mas tu; esperas por  mim...! Aí chegarei,
quando não sei!...
e mataremos saudades do tempo de ausência,
e falaremos dos nossos sonhos,
combinados... que nunca chegamos a fazer!
Partiste... Tão de repente...
que nem nos chegamos a despedir;
A dor foi brutal !
O meu coração ainda chora...
pela partida; que foi como vendaval !
um turbilhão de sentimentos, de perda,
sofrimento da ausência física,
da tua presença...
Noites longas, de insónias, lágrimas...
Resta-me recordações...
No outono da vida, da solidão de espera...
Neste livro já tão cheio de páginas...

sábado, 31 de maio de 2014

»»»»» VIDA «««««

A vida é um desalinho !
Um horizonte !
Se olhar-mos com olhar ameno...
Talvez encontremos perdido,
O carinho em miragens desfocadas, falaciosas,
Entorpecido...
Pobre amor perdido !
Vagabundo em movimento,
Sem rumo certo...
Resplandecência ?
Será do rio... A água é corrente,
O amor é a  fortaleza,
de um caminhante ;
Amores perdidos, delirantes,
Cansado, abatido, sem rasto,
como se houvesse sido, absorvido...

Nesse dia enchi-me de raiva !
passei a noite sem dormir,
chegando a manhã,
levantei-me com os nervos a doer...
Decanto o nosso amor... Adormecido;
Amanso o andar... Respiro fundo...
E tomei a decisão...
Memórias dissolvem-se, como restos de corpo !
Para quem já não tem prazo fixo para reverter o mundo !

sexta-feira, 23 de maio de 2014

^^^~ Distância ~^^^

Não vás para tão longe !
Vem sentar-te ,
Aqui na chaíse-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.

Não vás para tão longe !
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d`antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.

Não vás para tão longe !
Tenho medo,
Era sempre demais o curto espaço,
Que havia entre nós dois ...
Agora , um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio  de cansaço
Achas inconveniente,
O meu abraço.

Não vás para tão longe !
Fica. Inda é tão cedo !
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo !

Não vás para tão longe !
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento !...
Paira nas ruínas velhas do convento.

Que além se avista,
A alma melancólica d`um monge
Que a vida arremessou àquela  crista,

Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe !...

               "
   Fernanda  de  Castro "