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Não saberei nunca**
dizer adeus,
Afinal,
só os mortos sabem morrer:
Resta ainda tudo,
só nós não pudemos ser.
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo.
Não é este sossego,
que eu queria;
este exílio de tudo,
esta solidão de todos.
Agora,
não resta de mim,
o que seja meu,
e quanto tento,
o magro invento de um sonho,
Todo o inferno me vem á boca.
Nenhuma palavra,
alcança o mundo, eu sei,
Ainda assim escrevo.
MIA COUTO
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sábado, 4 de janeiro de 2014
******=== TORTURA === ******
Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento !
___E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
__ E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!
SONETOS*** de FLORBELA ESPANCA ***
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
:::::: PARA TI ::::::
Foi para ti,
que desfolhei a chuva,
para ti soltei o perfume da terra,
Toquei no nada,
e para ti foi tudo.
Para ti criei todas as palavras,
e todas me faltaram,
no minuto em que falhei,
o sabor do sempre.
Para ti dei voz,
ás minhas mãos,
abri os gomos do tempo,
assaltei o mundo,
e pensei que tudo estava em nós,
nesse doce engano,
de tudo sermos donos,
simplesmente porque era noite,
e não dormíamos,
eu desci no teu peito,
para me procurar,
e antes que a escuridão,
nos cingisse a cintura,
ficávamos nos olhos,
vivendo de um só,
amando de uma só vida.
" MIA COUTO "
»»»»» Não digas ao que vens «««««
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Não digas ao que vens. Deixa-me
adivinhar pelo pó nos teus cabelos
que vento te mandou. É longe a tua casa?
Dou-te a minha: leio nos teus olhos o
cansaço do dia que te venceu;
e, no teu rosto, as sombras
conta-me o resto da viagem.
Anda, vem repousar os martírios da estrada
nas curvas do meu corpo -- é um
destino sem dor e sem memória.
Tem sede? Sobra da tarde apenas uma
fatia de laranja -- morde-a na minha
boca sem pedires. Não, não me
digas quem és nem ao que vens.
Decido eu.
" Maria do Rosário Pereira "

Não digas ao que vens. Deixa-me
adivinhar pelo pó nos teus cabelos
que vento te mandou. É longe a tua casa?
Dou-te a minha: leio nos teus olhos o
cansaço do dia que te venceu;
e, no teu rosto, as sombras
conta-me o resto da viagem.
Anda, vem repousar os martírios da estrada
nas curvas do meu corpo -- é um
destino sem dor e sem memória.
Tem sede? Sobra da tarde apenas uma
fatia de laranja -- morde-a na minha
boca sem pedires. Não, não me
digas quem és nem ao que vens.
Decido eu.
" Maria do Rosário Pereira "
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
***** Não, ´não é Cansaço *****
Não , não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão,
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo ás avessas,
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo,
E também o mundo,
Como tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra,
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais,
Álvaro de Campos
Heterónimo de Fernando Pessoa
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
******* HORAS RUBRAS *******
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Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu poeta, o beijo que procuras!
FLORBELA ESPANCA

Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu poeta, o beijo que procuras!
FLORBELA ESPANCA
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