sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

:::::: PARA TI ::::::

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Foi para ti,
que desfolhei a chuva,
para ti soltei o perfume da terra,
Toquei  no nada,
e para ti foi tudo.

Para ti criei todas as palavras,
e todas me faltaram,
no minuto em que falhei,
o sabor do sempre.

Para ti dei voz,
ás minhas mãos,
abri os gomos do tempo,
assaltei o mundo,
e pensei que tudo estava em  nós,
nesse doce engano,
de tudo sermos donos,
simplesmente porque era noite,
e não dormíamos,
eu desci no teu peito,
para me procurar,
e antes que a escuridão,
nos cingisse a cintura,
ficávamos nos olhos,
vivendo de um só,
amando de uma só vida.

         " MIA   COUTO "

»»»»» Não digas ao que vens «««««

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Não digas ao que vens. Deixa-me
adivinhar pelo pó nos teus cabelos
que vento te mandou. É longe a tua casa?
Dou-te a minha: leio nos teus olhos o

cansaço do dia que te venceu;
e, no teu rosto, as sombras
conta-me o resto da viagem.

Anda, vem repousar os martírios da estrada
nas curvas do meu corpo -- é um
destino sem dor e sem memória.

Tem sede? Sobra da tarde apenas uma
fatia de laranja -- morde-a na minha
boca sem pedires. Não, não me
digas quem és nem ao que vens.
Decido eu.

 "  Maria do Rosário Pereira  "

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

***** Não, ´não é Cansaço *****

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Não , não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão,
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo ás avessas,
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...

Não, cansaço não é...
É eu estar existindo,
E também o mundo,
Como tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra,
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais,

  Álvaro de Campos
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

******* HORAS RUBRAS *******

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Horas profundas, lentas e caladas,
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata pelas estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu poeta, o beijo que procuras!

        FLORBELA   ESPANCA

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Casa Museu Miguel Torga

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

««« Memórias de um tempo »»»

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Lembranças das memórias de um tempo,
Anseios em mim, tornados ilusões,
E desilusões...
Caminhos da minha meninice,
De saudades sentidas;
Ruelas tortuosas de momentos,
Menos felizes;
Do querer ter e não ter,
Da frustração
Da desigualdade do mundo;
Silvas das amoras do meu prazer, e do meu viver;
Era um tempo em que o céu, por vezes, na carência nublava;
As distâncias que achávamos longas ,são  hoje, tão curtas;
As bolas de trapo, com que jogávamos futebol;
As brincadeiras inocentes, que nossas almas infantis desfrutavam;
Eram tempos de um tempo difícil;
Mas feliz;
Os gestos, as palavras, o carinho de mãe tudo superava;
Até o sol tinha mais brilho naquele tempo;
Era a felicidade de nada ter, e tudo ter
AMOR.

     José Carlos Moutinho

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Chet Baker & Bill Evans, The Complete Legendary Sessions

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