sábado, 24 de agosto de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
GAVETAS DA MINHA MEMÒRIA*****
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Abro as gavetas da minha memória, retiro papeis velhos amarelecidos, revejo livros ressequidos e debotados pelo tempo, corroídos na voragem dos dias, amontoados em anos de emoções,
de muitas ilusões, outras desilusões, formando uma manta de retalhos de sentimentos, que agora,
são relembrados neste abrir de gavetas,
pelos sóis que não abriram, ou pelos luares que escureceram, ou talvez pelas ondas que deixaram
de me murmurar, palavras de paixão, nas areias da minha solidão, naquela praia imensa de um mar
infinito, que me fazia navegar em pensamentos, sob um azul cintilante de imaginadas quimeras;
Mas o tempo, cruel, foi apagando essas lembranças e agora, aqui, com a saudade na alma,
embrenhado nestes papeis velhos, esbatidos e amarrotados, vivo os instantes que o universo me
concede, na esperança que os sóis voltem a brilhar e os luares me enfeiticem,
no prateado da sua luz mística.
" José Carlos Moutinho "
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Abro as gavetas da minha memória, retiro papeis velhos amarelecidos, revejo livros ressequidos e debotados pelo tempo, corroídos na voragem dos dias, amontoados em anos de emoções,
de muitas ilusões, outras desilusões, formando uma manta de retalhos de sentimentos, que agora,
são relembrados neste abrir de gavetas,
pelos sóis que não abriram, ou pelos luares que escureceram, ou talvez pelas ondas que deixaram
de me murmurar, palavras de paixão, nas areias da minha solidão, naquela praia imensa de um mar
infinito, que me fazia navegar em pensamentos, sob um azul cintilante de imaginadas quimeras;
Mas o tempo, cruel, foi apagando essas lembranças e agora, aqui, com a saudade na alma,
embrenhado nestes papeis velhos, esbatidos e amarrotados, vivo os instantes que o universo me
concede, na esperança que os sóis voltem a brilhar e os luares me enfeiticem,
no prateado da sua luz mística.
" José Carlos Moutinho "
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
**** TARDE NO MAR ****
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A tarde é de oiro rútilo: esbraseia.
O horizonte: um cato purpurino.
E a vaga esbelta que palpita e ondeia,
Com uma frágil graça de menino,
Poisa o manto de arminho na areia
E lá vai, e lá seque o seu destino !
E o sol, nas casas brancas que incendeia,
Desenha mãos sangrentas de assassino !
Que linda tarde aberta sobre o mar !
Vai deitando do céu molhos de rosas
Que Apolo se entretém a desfolhar...
E, sobre mim, em gestos palpitantes,
As tuas mãos morenas, milagrosas,
São as asas do sol, agonizante...
FLORBELA ESPANCA
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
De«« Florbela Espanca «« Esquecimento ««
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Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade !
Ceguei... tateio sombras... Que ansiedade !
Apalpo cinzas porque tudo ardeu !
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já não me lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer,
A lembrar doidamente o que esquecemos !...
Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade !
Ceguei... tateio sombras... Que ansiedade !
Apalpo cinzas porque tudo ardeu !
Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já não me lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer,
A lembrar doidamente o que esquecemos !...
sábado, 10 de agosto de 2013
" Contos " de Miguel Torga*** O Vinho *** Apenas um Resumo--- Todo era muito extenço***
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Era no Agosto, à tardinha. O Abel descia aos bordos pelos montes da Borralheda abaixo, a falar sozinho:
__ Sempre vais muito bêbado, Abel ! ora
Muito bêbado vais tu ! Metes-te nele,
Agora pareces um milhafre a peneirar. E o pior é o resto: « Olha em que estado vem este excomungado ! Dinheiro para encher os cornos de vinho, que não falte »
Dois quartilhos. Olha a grande coisa !...Parou. Encostou-se e abriu a braguilha.
--- Estás a mijar, Abel ! começou a cantar.
Riu-se fechou a braguilha: pôs-se a dançar. Mas deu duas voltas e estatelou-se , vais bêbado !
Tentou levantar-se. Essa agora _ É o vinho.! É o ladrão do vinho.
__Então que raio de coragem é essa, camarada.
__ Upa ! Arriba, burro velho. Estavas quase em pé mas não susteve e caiu.__ Já viste, Abel ?
Já viste a lua ? Que grande lua ! E corada ! Até parece que também lhe cascou...
Apesar das boas palavras, o corpo não foi mais além .
__ Mau temos o caldo entornado !
__ Vá lá uma cigarrada, do bolso do colete uma firisca, acendeu-a lançou o fósforo ainda a arder.
O fosforo que atirara pegou fogo, a brisa ligeira avivou a chama e pô-la a caminho
__Vês ? vês o que fizeste ?
__ Ó Abel ! Ó meu badana ! Levanta-te ! Reage, alma do diabo ! O incêndio, tocado pelo vento crescia ! Passou um coelho espavorido...
__Viste um coelho ? ! Aquilo é que levava pressa ! Ia com o rabo quente ! ...
__ Pôs-se em pé. Esteve assim uns segundos . O mar vermelho submergiu-o deslumbrado, caio redondo no chão , um sono fundo e pesado, refilou ainda.
__ Ao que chega um homem !
__ Que se lixe ! É por ti desgraçado ...
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Era no Agosto, à tardinha. O Abel descia aos bordos pelos montes da Borralheda abaixo, a falar sozinho:
__ Sempre vais muito bêbado, Abel ! ora
Muito bêbado vais tu ! Metes-te nele,
Agora pareces um milhafre a peneirar. E o pior é o resto: « Olha em que estado vem este excomungado ! Dinheiro para encher os cornos de vinho, que não falte »
Dois quartilhos. Olha a grande coisa !...Parou. Encostou-se e abriu a braguilha.
--- Estás a mijar, Abel ! começou a cantar.
Riu-se fechou a braguilha: pôs-se a dançar. Mas deu duas voltas e estatelou-se , vais bêbado !
Tentou levantar-se. Essa agora _ É o vinho.! É o ladrão do vinho.
__Então que raio de coragem é essa, camarada.
__ Upa ! Arriba, burro velho. Estavas quase em pé mas não susteve e caiu.__ Já viste, Abel ?
Já viste a lua ? Que grande lua ! E corada ! Até parece que também lhe cascou...
Apesar das boas palavras, o corpo não foi mais além .
__ Mau temos o caldo entornado !
__ Vá lá uma cigarrada, do bolso do colete uma firisca, acendeu-a lançou o fósforo ainda a arder.
O fosforo que atirara pegou fogo, a brisa ligeira avivou a chama e pô-la a caminho
__Vês ? vês o que fizeste ?
__ Ó Abel ! Ó meu badana ! Levanta-te ! Reage, alma do diabo ! O incêndio, tocado pelo vento crescia ! Passou um coelho espavorido...
__Viste um coelho ? ! Aquilo é que levava pressa ! Ia com o rabo quente ! ...
__ Pôs-se em pé. Esteve assim uns segundos . O mar vermelho submergiu-o deslumbrado, caio redondo no chão , um sono fundo e pesado, refilou ainda.
__ Ao que chega um homem !
__ Que se lixe ! É por ti desgraçado ...
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