domingo, 6 de janeiro de 2013

Tempo " Miguel Torga "


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     Tempo--difinição de angustia,
      Pudesse ao menos agrilhoar-te,
     Ao coração pulsátil dum poema !
    Era o devir eterno em harmonia,
   Mas foges das vogais, como a frescura
    da tinta com que escrevo.
   Fica apenas a tua negra sombra:
  ---O passado,
   Amargura maior, fotografada.

Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada,
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição,
De cortar aquele fio  movediço,
De areia
Que nenhum tecelão,
È capaz de tecer na sua teia.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Presença Africana " de Alda Lara "

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       »   PRESENÇA   AFRICANA «

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  Apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia,
me sangrou!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a irmã- mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabelos verdes
e corpos arrojados
sobre azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão dos ingombotas...
A das acácias rubras,
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...


O Jardim e a Casa de" Sophia Mello Breyner"

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O Jardim e a Casa
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Não se perdeu nenhuma coisa em mim,
Continuam as noites e os poetas
Que escorrem na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactos no meu ser estão suspensos,
Trago o terror e trago claridade,
E através de todas as esperanças
Caminho para a única unidade.

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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cerâmica Feita á Mão :


Uma peça de cerâmica, feita por mim em aula na UNIVERSIDADE SÈNIOR DE TORRES VEDRAS

Ègloga II * ( Almeno e Agrário, pastores )

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Ao longo do sereno
Tejo, suave e brando,
num vale de altas árvores sombrias,
estava o triste Almeno
suspiros espalhando
ao vento, e doce lágrimas ao rio.
No derradeiro fio
o tinha a esperança
que, com doces enganos,
lhe sustentaria a vida tantos anos
nûa amorosa e branda confiança;
que, quem tanto queria
parece que não erra, se confia.

 "  Luis de Camões "

domingo, 16 de dezembro de 2012

Estrofe cxx do Camto lll: Amores de Inês de Castro e D. Pedro

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« Estava a linda Inês, posta em sossego**
de teus anos colhendo doce fruta,,
Naquele engano de alma, ledo e cego,
Que a fortuna mão deixa durar muito,

Nos saudosos campos de Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e ás ervinhas,
O nome que no peito escrito tinha.


" CAMÔES "